terça-feira, 20 de agosto de 2013

Palavra

Estamos a poucos dias do inicio do mês da Bíblia, este "meio de comunicação" entre Deus e seu povo escolhido. Nada mais justo do que escrever Sobre a Palavra. Espero que gostem...

Sobre a Palavra

Um amigo me disse uma vez sobre o poder que há na Palavra, e como muitas vezes não damos a devida importância ao que falamos, escrevemos, ouvimos e lemos. Eu, como profissional graduado em comunicação, preciso, mais do que todos os outros profissionais, conhecer e saber usar corretamente essa arma que temos nas mãos.
Estudei durante quatro anos sobre os processos comunicacionais, o que fez crescer em mim a paixão pela escrita, descobrindo aos poucos o valor da palavra. Foi fascinante constatar que a evolução do ser humano se deu a partir do momento em que ele (o homem) conseguiu se comunicar. Não é isso que diz a velha frase popular, “quem não se comunica se estrumbica”?
Somente somos capazes de crescer e ampliar nosso conhecimento na medida em que nos expressamos e nos relacionamos com o outro. Essa relação com nosso semelhante nos leva à troca de experiências, descoberta de sentimentos e desejos em comum, impulsionando-nos a formar uma comunidade, por menor que seja.
Igualmente extraordinária é nossa criatividade para nos expressarmos. Muitas pessoas buscam a arte (música, pintura, fotografia) para se manifestarem. Outras se utilizam mesmo da palavra escrita, ou da palavra falada. Seja como for, o importante é comunicar-se.
A necessidade da comunicação não é exclusiva dos seres humanos. Na natureza os animais também desenvolvem “meios de comunicação”. Sons que para nós não têm significado algum são a forma que os animais encontraram de se relacionarem. Mágica?! Não! Por trás da criação, está o Criador.
Deus não podia “ficar de fora”, e, desde o princípio, procura escutar e dialogar com Seu povo. No Primeiro (ou Antigo) Testamento, algumas pessoas foram escolhidas para terem o privilégio de conversar com Deus, já que a grande maioria não era capaz de escutá-Lo. Com o passar do tempo, as maneiras de encontrarmos nosso Deus foram variando.
Durante o ministério de Jesus, seus discípulos Lhe pediram que os ensinasse a rezar. Mas antes de tudo, o que é rezar? Rezar é encontrar-se com Deus, conversar com Deus. Por isso Jesus nos ensina o Pai-Nosso. Essa oração é o melhor meio de atingir o coração do Pai. Porém, a oração deve vir do coração. Não devemos apenas recitar os versos, mas vivê-los.
Além da oração, a Igreja Católica nos fornece outro “meio de comunicação” para falarmos com Deus. A Bíblia Sagrada é onde temos a “linha direta” com Nosso Pai, é por onde podemos ouvi-Lo. Nem sempre é fácil escutar, e, podemos completar, nem sempre o que escutaremos será fácil de aceitar. Não rezamos, na oração do Pai-Nosso, “seja feita a Vossa vontade”? Porém, é preciso estar com o coração totalmente aberto para aceitá-la, ainda que não seja conforme nosso desejo.
Para auxiliar-nos nesta tarefa de interpretarmos as Escrituras, ou melhor, a fim de preparar nosso coração para a Palavra de Deus, nosso Senhor deixou-nos um presente: o Espírito Santo. Ele, que é o Amor, e mora no coração de Deus Pai, conhece, mais do que qualquer ser vivo, a vontade divina. Quem como Deus, para nos ajudar a compreender sua própria vontade? Por isso é de extrema importância que esses dois elementos andem juntos: a Palavra e o Espírito Santo; o Espírito Santo e a Palavra.
Sem colocá-los lado a lado corremos o risco de usar a Bíblia como um simples manual de comportamentos, e, assim, não enxergaremos a Verdade que dela emana. Para compreendermos essa Palavra não hesitemos clamar pelo Espírito Santo que, aliás, é promessa do próprio Jesus: Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o Pai do Céu dará o Espírito Santo aos que o pedirem”.
Dedique um pouco do seu tempo a conversar com esse Deus que tanto nos ama. Afinal, não se pode dizer que Ama alguém com quem não se relaciona. Deus não está distante, como muitas vezes pensamos, mas ele está tão perto que podemos, com a autoridade concedida pelo Espírito Santo, chamá-Lo: “Abba! Pai!”.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Igreja que acolhe

Este é um texto que escrevi há muito tempo ("pra mais de ano"), mas permanece atual... O objetivo é nos fazer refletir...

Igreja que acolhe

Certo dia um amigo veio me falar, quando conversávamos sobre a Jornada Mundial da Juventude, o motivo pelo qual não permaneceu na Igreja Católica, nem mesmo até a Crisma: não se sentiu acolhido pela Igreja. A imagem que muita gente tem é da Igreja conservadora, firme em suas regras e que não tem se preocupado em ir até os necessitados, e mesmo quando estes vão em busca de auxílio, nem sempre são bem recebidos.

A Igreja de hoje precisa ser acolhedora, não somente se voltar para quem já está na comunidade, mas acolher também quem fica à espreita (seja para interferir, seja por curiosidade). Essas pessoas esperam apenas um “empurrãozinho”, mesmo sem saber o porquê. Quantos escribas e fariseus seguiam Jesus a fim de conseguir provas das quais pudessem acusá-lo? E quantos destes não se converteram pelo caminho? Não podemos temer aqueles que nos criticam. Pelo contrário, se nas críticas houver fundamento (e o Espírito Santo nos auxilia neste discernimento), porque não usá-las para crescer? Não podemos também temer o diferente, ou discriminar. Todos que somos marcados pelo sinal do Batismo, carregamos em nós algo de bom para ofertar. Acolhamos uns aos outros! Afinal, o Reino dos Céus é para todos! E não para poucos!

E se o que nos incomoda é a quantidade de defeitos que apresentamos – seja por nosso passado ou até mesmo pelo presente que vivemos – devemos nos lembrar do seguinte: “Deus não convive com o pecado, mas acolhe o pecador”. Devemos obedecer antes a Deus que aos homens; devemos imitar as atitudes de Deus feito homem, em Jesus Cristo.

A passagem da mulher flagrada em adultério mostra bem essa virtude do Redentor, de acolher quem precisa. Naquela época, a mulher era totalmente desvalorizada, não tinha representação alguma na sociedade. Jesus poderia ter aprovado o apedrejamento da pecadora, conforme a Lei de Moisés, ou melhor, dos homens. No entanto, o Mestre repassou aos fariseus o poder de julgar, desde que se lembrassem do próprio passado. “Aquele que nunca houver pecado, atire a primeira pedra”. Quando todos se retiraram, um a um, e restou somente a mulher Jesus aproximou-se dela e lhe disse: “Mulher, onde estão os que te acusavam? Ninguém te condenou?”. Ao que a mulher respondeu: “Ninguém, Senhor”. Neste momento, com toda sua Misericórdia, o Mestre a acolhe, descarta seu passado e lhe dá uma nova chance, dizendo: “Nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar”.

Igualmente linda e rica é a passagem da Samaritana. Naquele tempo, Judeus e Samaritanos não se davam, portanto o sentimento entre eles era de total inimizade. Jesus, no entanto, deixa de lado os preconceitos impostos por sua cultura e, aproximando-se dela, pede um pouco de água. A samaritana se assusta com o pedido do pobre de Nazaré e compreende menos ainda o porquê dele pedir, além de água, sua atenção. Jesus responde dizendo: “Se conheces o dom de Deus e quem lhe pede água, tu lhe pedirias e ele te daria da água viva”. No decorrer da conversa, a mulher acaba por se deixar acolher pelo coração de Jesus, que é rico em misericórdia. Vale lembrar que ter “cinco maridos” como a mulher samaritana é não ter estabilidade, persistir em erros (“este homem com quem você está hoje não é seu marido”).

Em todo o Evangelho percebemos que Jesus, para transformar as pessoas, para realizar curas e milagres, primeiramente, acolhe cada um, e, se necessário, faz-se menor do que a pessoa para acolhê-la. Para isso é preciso, antes de tudo, estarmos com os olhos fixos nAquele que nos uniu e conferiu esta missão: “Ide por todo mundo e anunciai o Evangelho a toda criatura!”. Evangelizar não significa apenas belas pregações, perfeita oratória. A evangelização mais eficiente se dá pelo testemunho. Portanto, como Igreja, como “reflexo de Cristo”, que somos chamados a ser, tenhamos a mesma disponibilidade e sensibilidade de Nosso Senhor para acolher sem discriminação, pré-conceitos ou julgamentos. Que sejamos o próprio Cristo uns para com os outros. AMÉM.

sábado, 25 de maio de 2013

Maria e o Espírito Santo

Maria: esposa do Espírito Santo

“Deus Espírito Santo comunicou a Maria, sua fiel esposa, os seus dons inefáveis, e escolheu-a para DISPENSADORA de TUDO quanto possui. Deste modo, Ela distribui a quem quer, quanto quer, como e quando quer todos os Seus dons e graças, e NENHUM dom celeste é concedido aos homens sem que passe por suas mãos virginais. Porque tal é a vontade de Deus que quis que tudo recebamos por Maria”.
Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem,
 São Luís Maria Grignion de Montfort.

No último domingo (19/05) a Igreja celebrou, com muita alegria, a festa de Pentecostes, que encerra o Tempo Pascal, e faz memória ao dia em que o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos, quando estes se reuniam em Jerusalém. No último dia 13, vale lembrar, celebrou-se também a memória das aparições de Nossa Senhora em Fátima, Portugal. Mas o que essas duas festas têm a ver??? Tudo!

Maria estava com os apóstolos em Jerusalém. E arrisco dizer que sua presença foi fator determinante para a vinda do Espírito Santo sobre aqueles que se encontravam no Cenáculo. Afinal, não fosse pelo Fiat (faça-se) de Maria, o Verbo não teria se encarnado. Por se deixar envolver pela Sombra do Altíssimo, sinalizando uma entrega total à vontade de Deus, Maria é carinhosamente lembrada como Esposa do Espírito Santo. Não fosse essa entrega, permaneceríamos órfãos e longe da Graça de Deus.

Quem acorre a Maria em suas orações certamente será atendido, assim como o filho é prontamente atendido por sua mãe quando corre perigo. Maria é dispensadora das graças de Deus porque é pura, e está sempre em Sua presença gloriosa. Aquela que carregou no ventre o próprio Deus é, com toda a certeza, dotada da capacidade de ser canal da Graça, via do doce Ruah.

Um santo diz que Maria foi a única criatura capaz de receber em seu ventre Aquele que o Céu não podia conter, tal era sua grandeza. A jovem Maria foi preservada da mancha do pecado original para gerar, sem a mesma mácula, o Santo, o Justo, o Filho de Deus. “Bem-aventurada és tu que creste, pois se hão de cumprir as coisas que da parte do Senhor te foram ditas!” (Lc 1, 45). E bem-aventurados são os que a recebem por Mãe, pois também são feitos herdeiros das promessas de Cristo que em seu ventre habitou.

Não recebemos Maria como Mãe por mérito próprio. Foi o próprio Jesus quem no-la deu, para que a Ele chegássemos por meio dela. Do alto da Cruz, o mestre diz a seu discípulo amado: “Eis aí tua Mãe!”. Os mais céticos dizem que aquele discípulo amado era João (o evangelista) – e, historicamente, talvez o fosse –, mas acredito que tal expressão não comporta tão pequena significação.

Maria era “cúmplice” da missão de Jesus. Ela sabia, em seu coração, da importância daquele momento. E compreendeu que seu Filho nos queria para si como irmãos.  Como Mãe, Maria nos ama porque enxerga seu Filho em nossos corações, ainda que estejamos desfigurados pelo pecado. Ela nos tem como filhos amados e não cessa de interceder por nós. Nossa Mãezinha acolhe nosso coração aflito, e leva a seu Filho as nossas súplicas. A Mãe de Deus e nossa quer nos regenerar no Amor, quer nos colocar em seu ventre com Jesus, Aquele que cura e liberta de toda a maldade.

Entreguemos nossos corações à Virgem Santíssima para que, em seu ventre, na companhia de Jesus Cristo, nos tornemos fiéis discípulos e co-herdeiros do Céu.


Paz e bem!

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Sobre a Páscoa


Páscoa: tempo de ressurreição



      Os domingos de Páscoa começam sempre da mesma forma: muitas famílias acordam em clima festivo, os pais escondem os ovos de chocolate e espalham pegadas de coelho por toda a casa com farinha (essa parte geralmente é com as mães). Quando não há filhos pequenos, é certo que aconteça ao menos um abraço, e um desejo de “Feliz Páscoa”, mesmo que por obrigação. Mas a pergunta é: qual o real significado disso tudo?
     Sinceramente, não sei de onde surgiu essa tradição do Coelhinho da Páscoa. No entanto, não celebro a Páscoa por causa do Coelhinho ou dos ovos de chocolate. O motivo de ser esta, para mim, uma data festiva, é porque na Páscoa celebro a vitória do meu Senhor sobre a morte. A Ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.
     Mas mesmo essa comemoração pode não fazer sentido algum para mim, caso não seja motivo de conversão. Ressurreição é isso. Renascimento, Vida Nova, Vida Plena, Vida Eterna. Enquanto não sou capaz de assumir as mudanças que me propus a realizar a partir do período da Quaresma – que deve ser um tempo de conversão –, a Páscoa é em vão. A Ressurreição deixa de ser Vitória. Passa a ser simplesmente um acontecimento extraordinário.
       Parece estranho dizer que a Ressurreição de Jesus pode “ser SIMPLESMENTE um acontecimento EXTRAORDINÁRIO”, mas é realmente o que pode acontecer. Caso não vivamos o tempo litúrgico anterior (a Quaresma) em sua plenitude, será impossível vivermos verdadeiramente a Páscoa. Afinal, só tem a vida eterna (Ressurreição) aquele que morreu para si e reconciliou-se com Deus – por meio da penitência e do sacramento da reconciliação (práticas necessárias durante a Quaresma).
   Viver a espera da Páscoa na superficialidade resultará na vivência deste grande evento (EXTRAORDINÁRIO) de uma forma vazia ou mais SIMPLES (no sentido de ser superficial) do que aquela com que se deveria vivê-lo. É preciso viver profundamente este tempo que propõe a Igreja para que vivamos os acontecimentos da forma mais plena possível.
      No entanto, tenho uma ótima notícia... Caso você perceba que não viveu da maneira ideal o seu tempo de deserto e reconciliação com o Pai, tens ainda uma chance. Essa chance tem o nome de HOJE! Hoje é o dia de você pedir perdão, de experimentar a Misericórdia e o Amor de Deus
     Mas, por favor, não entenda errado! Não quero dizer que você pode aproveitar a vida como o Filho Pródigo e quando bem entender voltar para os braços do Pai. Lute pela santidade a cada dia; quando cair, levante-se; quando errar, peça perdão; ame seus inimigos. Pode ser que não haja tempo suficiente para se reconciliar.
       Busque, a cada dia, enxergar com o coração as pequenas ressurreições que acontecem em sua vida. Tudo o que é Vitória também é Ressurreição. A Vitória do dia sobre a noite, do perdão sobre o erro, do bem sobre o mal, da vida sobre a morte, do amor sobre o ódio, da união sobre a discórdia, da paz sobre a guerra, e por aí vai.
       Enfim, fica este recado: HOJE é a sua chance de RESSUSCITAR com CRISTO. Abra seu coração, arregace as mangas e vá à luta. Lembre-se: só tem a Vida Eterna quem morre para si.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Santa Teresa de Ávila, Doutora da Igreja


Ávila, Espanha, 1515. Teresa nasceu em família católica, e foi educada de maneira tão consistente que se encantou pelos cristãos mártires. Quando criança pensou até mesmo em fugir de casa e buscar, sem medo, a glória por meio do martírio nas regiões onde os cristãos eram perseguidos. Seus pais, porém, frustraram seus planos. Aos 20 anos entrou para o Carmelo de Ávila, buscando a vida religiosa. Entretanto, sua verdadeira conversão aconteceria depois de uma certa experiência transformadora.

Em seus escritos, a irmã do Carmelo pregava o desprendimento, o desapego das coisas terrenas, e a interiorização como forma de estar em profunda comunhão com Deus. Aprendeu isso num momento de oração diante da Cruz, perguntava porque Jesus havia sofrido tanto. Em seu coração, sentiu o crucificado lhe dizendo: "Por causa de seus pecados!". 

Percebendo que sua maior fraqueza consistia nas conversas caluniosas, neste momento Teresa assumiu sua conversão e buscou uma vida de profunda meditação e misticismo, junto ao seu amigo e conselheiro espiritual, São João da Cruz -igualmente reconhecido com um dos Doutores da Igreja. Ambos buscaram reformar a congregação, sugerindo um caráter mais introspectivo. Santa Teresa de Jesus (como também era conhecida) fundou diversas outras casas em todo o território espanhol. Aos 40 anos, sua saúde fragilizada não foi impeditivo para empreender tal reforma. Foi amplamente perseguida e criticada pela forma austera de vida que pregava a suas companheiras de Carmelo.

Impossível escolher a mais bela oração de Santa Teresa. São todas belíssimas. Esta que se segue, porém, deve estar constantemente em nossos corações. "Quem a Deus tem, nada lhe falta: Só Deus basta".

Nada te perturbe,
Nada te espante,
Tudo passa,
Deus não muda,
A paciência tudo alcança;
Quem a Deus tem Nada lhe falta: Só Deus basta.
Eleva o pensamento,
Ao céu sobe,
Por nada te angusties,
Nada te perturbe.
A Jesus Cristo segue Com peito grande,
E, venha o que vier,
Nada te espante.
Vês a glória do mundo?
É glória vã;
Nada tem de estável, Tudo passa.
Aspira às coisas celestes,
Que sempre duram;
Fiel e rico em promessas, Deus não muda.
Ama-O como merece,
Bondade imensa;
Mas não há amor fino Sem a paciência.
Confiança e fé viva Mantenha a alma,
Que quem crê e espera Tudo alcança.
Do inferno acossado Muito embora se veja,
Burlará os seus furores Quem a Deus tem.
Advenham-lhe desamparos, Cruzes, desgraças;
Sendo Deus o seu tesouro, Nada lhe falta.
Ide, pois, bens do mundo,
Ide, ditas vãs;
Ainda que tudo perca,
Só Deus basta.

Santa Teresa de Ávila

Paz e bem!




terça-feira, 9 de outubro de 2012

Ano da Fé


Ano da Fé

Em 11 de outubro de 2011, o Papa Bento XVI proclamou, por meio de carta apostólica intitulada Porta Fidei (Porta da Fé), que em exatamente um ano, teria início o Ano da Fé. Portanto, torna-se oportuno e necessário abordar o tema.
No dia em que se comemora o cinquentenário (50 anos) da abertura do Concílio Vaticano II, e, simultaneamente, os 20 anos da publicação do Catecismo da Igreja Católica, o Santo Padre nos convida a celebrar um Ano da Fé, com o objetivo fortalecer em nós esta graça de Deus que nos impele a testemunhar o Evangelho com coragem e buscar com confiança estar cada vez mais próximo do Pai.
Como o próprio pontífice destaca em sua epístola, não é a primeira vez que a Igreja convida seus fiéis para celebrar um Ano da Fé. Seu predecessor, Paulo VI, proclamou, em 1967, um tempo semelhante na Igreja, em memória do martírio dos apóstolos Pedro e Paulo, estimulando os fiéis professarem sua fé, sem medo das perseguições.
A principal motivação de Bento XVI para proclamar tal evento consiste da necessidade de uma renovação, um reavivamento da profissão de fé. Não no sentido de MUDAR o que professamos, mas no sentido de VIVER o que professamos. O Papa percebe essa urgência de retomarmos o “gosto” pela Palavra e pela Eucaristia, elementos centrais da vivência católica.
Da mesma forma, nosso Pastor pede que seja um tempo de autêntica e renovada conversão, mudança de atitudes, a fim de que cada um seja fortalecido pela graça de Deus, lembrando que esta só atinge os corações que estão abertos, sedentos pela água viva, como é relatado no encontro de Jesus com a Samaritana (Jo 4). Portanto, é necessário nos colocarmos a caminho do encontro com o Mestre.
Bento XVI destaca ainda que “a fé cresce quando é vivida como experiência de um amor recebido e é comunicada como experiência de graça e de alegria”, ou seja, não é possível oferecer o que não se tem. Para evangelizar, transmitir a experiência do amor, é preciso VIVER essa experiência, que só acontece quando nos abrimos à graça da Fé. O Papa destaca ainda que “A fé torna-nos fecundos, [...] abre o coração e a mente dos ouvintes para acolherem o convite do Senhor a aderir à sua Palavra a fim de se tornarem seus discípulos”.

“Acredita-se com o coração e, com a boca,
faz-se a profissão de fé” Rm 10, 10
        
A partir deste trecho da epístola de São Paulo, o sumo pontífice discorre a respeito do testemunho daquele que crê, e exorta: “o professar com a boca indica que a fé implica um testemunho e um compromisso públicos. O cristão não pode jamais pensar que o crer seja um facto privado. A fé é decidir estar com o Senhor, para viver com Ele”. Portanto, é necessário transmitir a experiência da fé, a fim de que todos possam experimentá-la, tornando-se assim, discípulos do Mestre. Que ao longo deste Ano da Fé possamos nos abrir a graça do Espírito Santo e testemunhar autentica e sinceramente a fé que professamos.

Obs.: Texto retirado da edição de outubro do Jornal "O Mensageiro de Santa Rita". Autoria: Leonardo Bruno Dias

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Ai de ti Corazim, ai de ti Betsaida!



Não podemos negar que homem o está sempre em busca de algo. Afinal não é a toa que falamos em trajetória de vida. Só segue uma trajetória quem tem algum objetivo, quem caminha. Porém, há algo que impulsiona o homem para além dos objetivos fisicamente alcançáveis. Há algo que o leva a buscar uma realização que não se apoia nos bens materiais.

O homem não é apenas carne. É também Espírito, e Espírito Santo (no caso dos batizados). E o Espírito, que veio do alto, deseja buscar as coisas da alto. O grande problema é o conflito que existe entre o homem e o Espírito. Por vezes, as coisas do mundo são mais atrativas do que os anseios do Espírito Santo, que habita em nós pelo batismo. Os prazeres oferecidos pelo mundo são imediatos, e por vivermos numa sociedade tão imediatista, não sabemos esperar a recompensa futura que receberemos do Espírito em virtude do sacrifício da carne. É tão mais fácil viver agora essa alegria que o mundo promete. Seria saudável para o Espírito, não fosse um detalhe: é uma alegria que passa, que não preenche, pelo contrário, esvazia.

O Evangelho de hoje chama atenção para isso. As cidades que Jesus critica eram grandes centros comerciais da época, e deram mais valor aos bens materiais do que à Boa Nova. Daí o motivo da condenação. Fecharam os olhos e os ouvidos do coração à Verdade, que é o próprio Jesus. Mais adiante, ainda na leitura de hoje, o Mestre diz que eles rejeitam a própria salvação. Afinal, foi para isso que o Pai enviou seu Filho amado. Portanto, Jesus não condena, mas aqueles que o rejeitam são condenados porque rejeitam, consequentemente, o Pai.

"... mas quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou."
Lc 10, 16c

Rejeitar Jesus não significa rejeitar somente sua figura, mas todo aquele que o representa. Todo aquele que se esforça por levar sua mensagem de conversão e amor. Portanto, isso inclui cada um de nós que professamos a fé em Jesus Cristo. Tornamo-nos Um com Ele pelo batismo. Sendo assim, qualquer ataque que sofremos, Jesus também sofre em nós. Se nos rejeitam, a Ele rejeitam, e, dessa forma, rejeitam Aquele que o enviou: o Pai.

O apelo que Jesus nos faz hoje pelo Evangelho segundo São Lucas é de não desistirmos de testemunhar a nossa fé. Sabemos que a porta para a salvação é mais estreita do que os caminhos que levam nossa alma à perdição. Haverá momentos em que seremos perseguidos, caluniados, zombados por causa de nossa fé. Por vezes também seremos tentados a deixar nossa missão para assumir os "valores" do mundo. Mas não devemos nos deixar vencer. Depois do obstáculo há um longo caminho a percorrer. Não se engane. É apenas mais uma pedra no meio do caminho.

A nós, resta contarmos com o auxílio do Espírito Santo e pedirmos que Ele nos dê Sabedoria e Coragem para testemunharmos nossa fé.

Paz e bem.

Segue link para a "Homilia Diária - Canção Nova", que está muito legal. Vale conferir!